Departamento de Biologia da UFC faz descoberta de nova espécie de planta para o Brasil

9 de maio de 2017

Uma pesquisa iniciada em dezembro de 2015 pela cearense Rayane de Tasso Moreira Ribeiro, estudante de doutorado da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em parceria com o Laboratório de Sistemática e Ecologia Vegetal (Lasev), do Departamento de Biologia da Universidade Federal do Ceará, culminou na descoberta de uma nova espécie de Phyllanthus para o Brasil.

Com coautoria de Raimundo Luciano Soares Neto e sob orientação da Profª Maria Iracema Bezerra Loiola, responsável pelo Lasev, o desenvolvimento do estudo de Phyllanthaceae para o projeto Flora do Ceará deu origem ao artigo “Phyllanthus carmenluciae, a supreme species of Phyllanthus (Phyllantaceae) from Brazil“. O artigo foi publicado na revista científica neozelandesa Phytotaxa.

A Phyllanthus é um gênero de planta que tem 88 espécies registradas no Brasil. Agora, com a nova descoberta, são 89. Geralmente são ervas de pequeno porte, algumas com propriedades medicinais, como a quebra-pedra, que é a mais conhecida do grupo. A Phyllanthus carmenluciae também é considerada de pequeno porte e possui caule pouco desenvolvido.

A amostra da Phyllanthus carmenluciae estava no Herbário Prisco Bezerra da UFC há 10 anos, equivocadamente identificada como outra planta do gênero Phyllanthus. Durante a pesquisa, a estudante percebeu diferenças na planta. “Essa espécie tem estames (parte masculina da flor) unidos, e não soltos como as outras. Essa foi a característica que no estudo chamamos suprema”, ressaltou a doutoranda, em entrevista ao jornal cearense O Povo.

O nome escolhido para registrar a nova espécie é uma homenagem à Ministra do Supremo Tribunal Federal, Carmem Lúcia Antunes Rocha, em alusão a essa característica designada como suprema. No último dia 2, Rayane encontrou-se com a magistrada, em São Paulo, e entregou a ela um quadro com a representação da planta.

Como a descoberta da nova espécie ainda é recente, não há material suficiente para saber quais seus benefícios, mas a pesquisadora acredita que ela possa ter propriedades medicinais. “Por fazer parte de um grupo de plantas em sua maioria medicinais, acreditamos que ela pode ter atributos medicinais, mas só um detalhamento bioquímico pode definir a utilidade da espécie”, detalha. A Phyllanthus carmenluciae foi registrada, até o momento, apenas no município de Mulungu, na Serra de Baturité, no centro-norte do Ceará.

FLORA DO CEARÁ – o projeto “Flora do Ceará: conhecer para preservar” está sendo desenvolvido desde 2009 no Lasev sob a coordenação da Profª Maria Iracema Bezerra Loiola e é financiado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico e Científico (Funcap).

Todos os anos são escolhidas duas famílias da flora cearense para serem estudadas. Em 2015, uma das plantas escolhidas foi a Phyllanthus. Foi aí que teve início o estudo que deu origem à nova descoberta pela pesquisadora Rayane Ribeiro, que na época era professora do Departamento de Biologia da UFC.

Fonte: Laboratório de Sistemática e Ecologia Vegetal da UFC – fone: 85 3366 9812

 

Fonte: Portal UFC